Artista santa-cruzense faz sucesso na internet

Aos 26 anos, Desirée Feldmann reside atualmente em Santana do Livramento, onde se dedica exclusivamente a suas obras

Foto: Divulgação


Aos 26 anos de idade, a santa-cruzense Desirée Feldmann conseguiu o que a maioria das pessoas deseja: trabalhar com o que gosta e ser bem-sucedida. A jovem, que atualmente mora em Santana do Livramento, se formou em Moda na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, onde trabalhou desenvolvendo estampas para empresas do polo calçadista. Dessa experiência, ela conta dois lados: até hoje vê as pessoas usando calçados com suas estampas, mas além de uma jornada de trabalho pesada, a obra final levava o nome da marca, e não o seu próprio.

Foi no ano de 2014 que tudo mudou. Desirée se desligou da empresa para trabalhar com consultoria de desenvolvimento de coleção para estamparia e iniciou uma pós-graduação em Comunicação na Moda. No meio daquele ano, com a transferência do namorado para Santana do Livramento, ela decidiu ir morar com ele, porque já não precisava de um local físico para trabalhar. “Eu brinco comigo mesma que 2014 foi um ano ‘quase’ sabático, porque você está acostumada com uma determinada rotina e de repente se vê num lugar com um sistema e cultura completamente diferentes”, conta.

Foi quando a artista conheceu o trabalho da Urban Arts, espécie de galeria de arte digital que poderia lhe trazer uma renda extra. “O artista manda o seu desenho e, se for comercializado, ele recebe uma comissão pelas vendas. Um ano antes, eu visitei uma das lojas físicas que fica no Rio de Janeiro e tinha gostado muito do estilo da loja”, explica. Depois de enviar alguns trabalhos para o site, ela logo passou a perceber que ali havia uma oportunidade.

Desirée conta que, no verão seguinte, a Urban Arts foi parceira da Heineken em um projeto chamado Up On The Roof, uma festa em terraços da cidade. As suas obras estavam entre as escolhidas para o evento, no qual as pessoas podiam também comprar as peças. “Percebi que houve uma boa repercussão, mas as redes sociais da minha marca não estavam no mesmo ritmo para que eu pudesse também aproveitar o momento de divulgação. Então, foquei meu artigo da especialização na comunicação da identidade visual da minha marca.”

Visual particular e de fácil identificação

Apesar de suas obras floridas, nem tudo são flores para quem se arrisca a viver de arte no Brasil. Sobre as dificuldades que sua vocação enfrenta, Desirée Feld-mann aponta que a arte não é uma profissão tradicional e por isso não tem o mesmo status social do que áreas como o Direito ou a Medicina. Além disso, muitas pessoas a veem como um hobby, sem entender que a arte pode ser aliada a profissionalismo, gestão e rentabilidade. “No mercado de trabalho brasileiro, o empreendedorismo é associado à necessidade e não a um modelo de negócio lucrativo.”

A diferença em sua atividade veio não somente da criação, mas do trabalho comercial e de marketing a que ela se dedicou; além de peças de vanguarda, passou a investir em itens mais simples. “No ano passado eu entrei na Colab55, onde o mix de produtos é bem diversificado, como almofadas, cases para celular, cadernos, camisetas e outros. Isso ajudou a aumentar a minha visibilidade no mercado e, por consequência, houve uma exposição maior.”

Para a santa-cruzense que desenha “desde sempre”, a inspiração vem da natureza e do movimento das flores e pequenos animais. O trabalho de Desirée mescla técnicas artesanais e digitais, o que lhe confere um visual particular, marcante e fácil de identificar. Foi dessa forma, por exemplo, que ela ficou sabendo por uma amiga que a atriz Marina Ruy Barbosa havia postado em seu Instagram uma foto com três quadros seus. A postagem acumula mais de 50 mil curtidas na rede social e traz uma parte do reconhecimento que a artista merece, e que ainda virá.


PAOLA SEVERO

paola.severo@gaz.com.br