Cinco tendências de arquitetura para 2018

Ambientes flexíveis, menores, mais práticos, compartilhados e saudáveis devem ser as escolhas para os ambientes corporativos

Priscilla Bencke, especialista em ambientes corporativos
Foto: Divulgação


Preparar os ambientes corporativos considerando aspectos que humanizem os espaços tem sido uma demanda crescente na área da arquitetura. Por isso, a neuroarquitetura, que é o ´impacto do espaço físico no nosso cérebro’, é uma das principais tendências de arquitetura para 2018. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram números alarmantes de pessoas sofrendo de depressão e ansiedade no ambiente de trabalho. “Agora é a hora de se preocupar com essa humanização. Procurar amenizar o sofrimento das pessoas nos ambientes de trabalho”, destaca Priscilla Bencke, especialista em projetos e ambientes corporativos.

Para ela, as empresas vão seguir esse ano investindo também na tendência de projetar ambientes que ajudam a aumentar a produtividade. Além disso, muitas corporações já estão retomando projetos que foram parados ano passado. “Empresas que estavam mais retraídas também decidiram investir e estão solicitando projetos de novas sedes e espaços físicos. O que é muito bom porque indica que o ano está começando com um espírito diferente, de muita transformação e ideias sendo colocadas em prática”, avalia a neuroarquiteta especialista em ambientes corporativos, Priscilla Bencke.

Priscilla Bencke destaca a seguir outras tendências de arquitetura para 2018. Confira!

1 – Ambientes mais flexíveis: Segundo Priscilla Bencke, uma das tendências em arquitetura para 2018 é a de ambientes e até mobiliários ‘mais soltos’ e com menos elementos sob medida. São os ambientes para múltiplas funções, como, por exemplo, uma copa que pode servir de descompressão para os colaboradores; ou uma sala de espera que sirva também como sala de reunião. A própria tecnologia, como o wi-fi, tem auxiliado nessa integração permitindo mobilidade nos ambientes, pois não há necessidade de cabeamento em vários espaços;

2 – Espaços compartilhados: A iniciativa de compartilhamento dos locais de trabalho com muitos co-workers dividindo espaços para trabalhar tem crescido e ganhado adeptos no mundo todo. “Não mais mesas fixas, para um só funcionário”, ressalta Priscilla Bencke. As empresas com colaboradores que viajam muito, por exemplo, podem ocupar as mesas - que ficam vazias e ociosas – deslocando-as para uso de outros profissionais, o que evita custos.

3 – Praticidade: “Os escritórios estão com uma tendência visual diferente para 2018 e devem mudar para um estilo mais industrial”, afirma Priscilla. O que significa isso? Os projetos corporativos vão ter as instalações mais aparentes. “Nem o forro estão colocando nos projetos das empresas, para que haja condições das mudanças. E caso ocorram, tudo será mais rápido e sem a necessidade de realização de obras ou reformas”, aponta. Esse estilo mais industrial, com as instalações mais aparentes, portanto, entra como uma forte tendência em 2018.

4 - Áreas reduzidas: O desenvolvimento de grandes sedes corporativas no exterior tem cada vez menos a presença de salas enormes de reuniões. “Elas são importantes e as reuniões entre os colaboradores devem ocorrer porque é desses encontros que surgem grandes ideais. Só que elas acontecem, hoje, em ambientes mais alternativos e até compartilhados com outras áreas, como numa sala do café ou realizada em mobiliários soltos, que permitem juntar as cadeiras para uma conversa. O layout tradicional está sendo modificado inclusive por conta da tecnologia, já que podemos fazer reuniões digitalmente”, afirma Priscilla.

5 – Bem-estar do ser humano: Essa humanização já vem ocorrendo, segundo Priscilla Bencke. Grandes lideranças, de grandes corporações, já entendem que as pessoas, quando se sentem bem, produzem mais e muito melhor. O resultado é um aumento de produtividade para a empresa e um retorno financeiro quando se busca o bem- estar das pessoas. Segundo Priscilla Bencke, que é especialista em neuroarquitetura, esse desequilíbrio no bem-estar psicológico e mental das pessoas ajuda a diminuir o estresse no local de trabalho.

Ela avalia também a importância dos executivos olharem mais para essas questões psicológicas, uma vez que o ambiente tem ligação direta com o comportamento e as emoções das pessoas. Para a arquiteta, a inclusão de elementos naturais, a presença de vegetação ou um jardim, a valorização de uma iluminação natural, tudo isso pode contribuir para ter um ambiente de trabalho mais acolhedor. As pessoas devem se sentir bem, como se estivessem em casa. E os elementos contribuem para a valorização do bem-estar psicológico por meio do ambiente físico.

A tendência, portanto, é a elaboração de projetos mais personalizados e individualizados. “As pessoas não querem ser vistas mais como máquinas. Mesmo em grandes empresas, é possível ter algo personalizado. E isso já nasce no projeto, pois o profissional de arquitetura com esse foco mais humanizado faz imersão na empresa, conversa com as pessoas e descobre as necessidades de cada uma para fazer um ambiente que possa melhorar as questões psicológicas desses profissionais”, finaliza Priscilla Bencke.