Uso de aparelhos eletrônicos deve ter controle dos pais

O aumento impressionante do acesso tem preocupado cada vez mais os pais e profissionais que lidam com os pequenos e coloca em questão o possível vício infantil em celulares

Foto: Divulgação


No ano passado, o canal da Galinha Pintadinha ultrapassou grandes nomes em visualizações no Youtube. A simpática ave azul ficou na frente de Rihanna e Justin Bieber. Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, 85% das crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos são usuárias de internet, o equivalente a 24,7 milhões que estão nesta faixa etária em todo o País.

Se em 2012, 21% das crianças acessaram a rede por meio do celular, em 2018 são 93%. O aumento impressionante do acesso tem preocupado cada vez mais os pais e profissionais que lidam com os pequenos e coloca em questão o possível vício infantil em celulares. O que fazer?

Precisamos levar em conta que a tecnologia está cada vez mais inserida no nosso dia a dia e com isso ela não pode ser totalmente ignorada. Tudo está ali, na palma da mão, não temos mais como desconectar. Mas, até onde isso é saudável, principalmente tratando de crianças e adolescentes?

Conversamos com a psicopedagoga Deise Catarine Schuck, especialista em Problemas do Desenvolvimento da Infância e Adolescência. Ela explica que devemos sair do senso comum, que considera o amplo uso de eletrônicos por bebês, crianças e adolescentes como algo que faz parte da atualidade, e olhar essa questão pelo viés da aprendizagem e do desenvolvimento infantil. Desde muito cedo, as crianças aprendem formas de acesso e uso de eletrônicos, e junto com isso, pode e deve ser ensinada uma maneira de prevenir os excessos, desde que aconteça com o acompanhamento de um adulto.

“Sim, a tecnologia está incorporada à nossa rotina e cada vez temos mais facilidades cotidianas com o seu uso, porém ela não substitui processos essenciais da aprendizagem e desenvolvimento infantil”, explica. Como por exemplo, o ato de brincar, no qual a criança desenvolve a linguagem, o conhecimento de si e do outro, a simbolização, a percepção do mundo, formas de lidar com a frustração e tantos outros aspectos fundamentais para seu bom crescimento.

A psicopedagoga elencou algumas dicas para ajudar pais e responsáveis a lidar melhor com a tecnologia na vida das crianças e adolescentes.
Como algumas alternativas possíveis para nosso cotidiano, que envolve tempos curtos e muitas tarefas que se sobrepõem, poderíamos pensar em uma rotina organizada, na qual o tempo livre esteja presente, o convívio das crianças com outras crianças para brincar em praças, andar de bicicleta, correr, ou até mesmo visitar algum colega. Ou sempre que sair, ao invés de pensar no eletrônico como primeira possibilidade de distração, propor que a criança leve um brinquedo, livro, gibi, algo que possa ocupar, caso seja necessário. Proporcionar autonomia e incluir as crianças em algumas tarefas diárias, como a escolha da roupa, a arrumação do quarto, a organização da mochila ou a preparação da refeição, também são opções.

SAIBA MAIS

Como a criança pode lidar com o tédio?
Desde muito cedo as crianças podem aprender a lidar com o tédio e com as frustrações como parte da vida, assim como os demais sentimentos, pois dessa forma estarão se desenvolvendo psiquicamente e terão condições de lidar com as adversidades da vida. Para isso, o diálogo é fundamental, para que a criança aprenda a nomear e significar esses momentos e, com o auxílio do adulto, possa encontrar formas de gerir seus sentimentos.

Como os pais podem impor limites?
Aprender a delinear limites é tarefa dos pais. A criança vai aprender a como transitar pelo âmbito social, familiar, educacional e no futuro profissional, de acordo com suas vivências, experiências e relações que se iniciam na família, inclusive relacionadas aos limites e excessos. O diálogo com as crianças contribui para a constituição de laços afetivos e sociais e para a simbolização e compreensão dos motivos que levam os adultos a não permitirem o uso de eletrônicos sempre que elas tiverem vontade, pois também aprendemos a organizar nossos tempos, vontades e desejos, na infância. É importante que os pais dialoguem com a criança ou adolescente a respeito de quais dias e horários o uso será liberado e em quais momentos não será permitido, pois trata-se de uma organização familiar.

Dê opções de atividades para a criança
O brincar sempre será a primeira opção, seja com outras crianças, com os adultos, com brinquedos, peças de encaixe, com materiais alternativos (como caixas de papelão, materiais de colagem, folhas diversas, tecidos...) ou com jogos que favoreçam a aprendizagem e o desenvolvimento infantil, como por exemplo: os jogos de tabuleiro, jogos de memória, quebra-cabeça, jogos de cartas, dentre tantos outros. Passeios, filmes, piqueniques, festas do pijama e demais momentos que favoreçam a interação e socialização também são alternativas.
    
Qual a melhor forma de prevenção?
A conscientização de que os prejuízos para o desenvolvimento infantil são importantes e muitas vezes podem causar atraso no desenvolvimento, o que leva a criança a um sofrimento e a família a buscar apoio de profissionais especializados, como médicos, psicólogas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogas e/ou psicopedagogas para auxiliá-los, pode ser um aspecto relevante para que os adultos tenham maior atenção a essa temática.

Outro fator que precisamos levar em consideração é que o uso excessivos de eletrônicos interfere diretamente na qualidade e aproveitamento do estudo dos adolescentes. Se eles, na infância, aprenderem a como utilizar de maneira adequada esse recurso, terão um melhor desempenho escolar, podendo ter ganhos também na vida adulta, quanto a essa aprendizagem desenvolvida na infância.


MARÍLIA NASCIMENTO

marilia.nascimento@gaz.com.br