Dia das Crianças: o que a infância representa para nós

Ao invés de darmos dicas, vamos nos apresentar com fotos e lembranças da infância

Foto: Arte Portal Gaz


Nada de Elas Indicam nesta semana. Em homenagem ao Dia das Crianças vamos nos apresentar em uma versão mini. Somos resultado dessas pequenas cheias de sonhos, sorrisos (ou não!) e opiniões. Conheça como eram as jornalistas do Elas por Elas há alguns anos.

Bruna Lovato

 

Nesta foto eu tinha mais ou menos uns seis meses (faz só quase 35 anos). Minha mãe conta que eu era tão comunicativa e risonha que a fotógrafa nem precisou fazer brincadeiras para eu sorrir para a foto. Digo que minha infância foi uma infância raiz. Morava em um conjunto de apartamentos que, naquela época, não era cercado por grades. Ficávamos eu e a vizinhança até o entardecer brincando nas pracinhas do conjunto, sem medos. Era gangorra, balanço, gira-gira, fazer esculturas na areia, brincar de esconde-esconde, pega-pega. A folia só acabava quando a mãe me chamava pela sacada. 

Naquela época não tínhamos celular, Netflix, Youtube, computador. A tecnologia era aqueles mini games portátil (procura no Google), Pac Man, Super Mario, ou cuidar de um Tamagotchi. “Não quero saber se o bicho tá com fome, doente, com sono!”, brigava minha professora de matemática com a turma toda.

Além da escola e das brincadeiras na rua, a TV vivia entre o Tom e Jerry, Pica-Pau, Papa-Léguas, Castelo Rá-Tim-Bum, e já no comecinho da adolescência a primeira versão das Chiquititas (lá em 1997). Ah, tinha também os desfiles de moda na casa das colegas. 

São tantas lembranças boas. A prova de que tive uma infância feliz e proveitosa são as inúmeras cicatrizes que tenho pelos joelhos, pois cair enquanto corria (às vezes até caminhando) era normal na minha vida. Como diria Casimiro de Abreu: “Oh! que saudades que tenho, Da aurora da minha vida, Da minha infância querida, Que os anos não trazem mais...!” Ah, que saudades dos anos 90!”


Tássia Carvalho

Como podem perceber na foto, desde criança torcer para o Internacional fez parte da minha infância. Filha de pai gremista e mãe colorada, a competição para ver qual time eu iria escolher foi grande. Cada um puxava de um lado. Rolava chantagem, com presentes e até passeios para que eu torcesse para o time deles.

Esta foto me marca de forma significativa, pois no dia 2 de julho de 1997, o Inter foi campeão gaúcho (uh, Fabiano), um dia após o meu aniversário. Foi o primeiro jogo que assisti no estádio, junto com minha mãe e minha dinda. Lembro como se fosse hoje a sensação e as pessoas que eu nem conhecia, me erguendo para o alto quando o jogo terminou. Depois dessa vitória, não se tinha dúvidas que no fim de semana, que seria comemorado o meu aniversário, a festa teria esse tema. Até porque, antigamente, as festinhas eram feitas na garagem de casa mesmo e todo mundo se reunia um dia antes para enrolar os docinhos. Ah foi um tempo muito bom. Um tempo que, infelizmente, não volta mais.

Podem ficar tranquilos, nunca cedi às chantagens do meu pai, continuei firme e forte. Ele até foi no meu aniversário de 6 anos. Hahaha!


Naiara Silveira

Muitos brincam que eu ainda sou o bebê do Gaz (por estar no auge dos meus 21 aninhos), mas a verdade é que eu nunca deixei de ser criança. Quem convive comigo sabe que a minha risada é tão boba quanto a daquela época, em que eu passava tardes brincando no barro - essa era a minha brincadeira preferida! Ironia do destino ou não, eu, que hoje amo cozinhar, ficava horas fazendo brigadeiro, bolo e várias outras receitas no quintal da casa da minha vó. As iguarias eram: barro, grama, areia e qualquer pedrinha que eu achasse por ali. Ah, tempo bom! 

Minha covinha, que nunca me abandonou, sempre foi seguida de um sorriso largo, uma gargalhada bem alta e incontrolável. São esses momentos de alegria que eu sempre mantenho comigo, a inocência sobre as maldades do mundo e a minha curiosidade, que só foi crescendo com o passar dos anos. Eu era aquela criança bem chatinha que fica perguntando mil “porquês”, sabe? Apesar de chata, eu também era muito amada, sempre rodeada pelos meus pais, tias e tios, avós e avôs, que sempre me mimavam muito por ser a neta mais velha. Hoje, restam apenas as lembranças destes anos sem ter boletos para se preocupar! Heehehhe’"


Paola Severo

Acho que pela foto podemos dizer que a minha fama de invocada começou cedo! Apesar de ser uma fofurinha que ria bastante eu nunca saía muito sorridente nas fotos. Quando cresci um pouco acabei perdendo um dente da frente e sempre sorria de um jeitinho meio blasé (mas era por vergonha, por causa da janelinha do dente faltando). 

Sabe que esse costume meio que pegou e acabei me tornando uma pessoa que parece meio séria, mas só se você não me conhece bem o bastante. Essa característica veio também do fato de eu ter sido criada e ter crescido cercada por adultos, sem muitas crianças no meu convívio até ir para a escola aos 6 anos. Eu conversava com os adultos como se fosse um deles, não era muito dada a brincadeiras bobas. Acho que a seriedade pode ser um resquício disso. Mas eu garanto que é só aparência, até me conhecer melhor, porque daí eu sou só sorrisos e brincadeiras.


Marília Nascimento

Cabelo nem sempre foi o meu forte. No primeiro ano de vida a comemoração teve um mini coqueirinho (bem mini!) na quase careca. Depois ostentei um corte estilo "Joãozinho" no segundo ano e, a partir do terceiro, as madeixas resolveram dar as caras. E mesmo assim, eu ainda não ostentava o cabelo muito longo, não! Mas já era apaixonadas pelos animais. Os cachorros estão na minha vida desde sempre, com alergias e algumas separações, eles seguem comigo.

O sorriso segue o mesmo, eu ostento ele até mesmo quando não é um dia tão bom. Raramente alguém vai saber que é um dia ruim. Os que convivem mais diretamente identificam a mancha na testa, característica desde os primeiros dias de vida e que não me deixa enganar se estou brava. Minha cara não engana! E se eu chorar, porque sou chorona há quase 31 anos, vai ser longe de todos. A não ser que eu me sinta a vontade e aí choro na mesa do almoço mesmo.

E dos anos passados, eu só não quero perder a essência da menina que cresceu gravando telejornais, montando casinhas de Barbie, brincando de boneca, correndo na rua, participando de tudo que tinha na escola e sorrindo, sempre.


Lua Rodrigues


Gostaria de escrever um texto poético por aqui, mas na correria do dia não vou conseguir expressar de forma mais sensível o que foi a minha infância. Até os cinco anos morei em Vera Cruz, onde nasci, e pouco me lembro de lá. Depois fomos para Candelária, onde morei até os 20 anos. Minha infância foi sempre ao lado do meu irmão, 5 anos mais velho do que eu, o que me tornava a criança chata que vivia correndo atrás dele e dos amigos. Queria estar com "os grandes", me metendo nos assuntos.

Minha brincadeira preferida era patinar e ficar fazendo acrobacias no gramado da casa (virar estrelinha, plantar banaeira, etc). Amava fazer roupas para minhas bonecas e inventar um look bem descolado. Outro ponto que marcou minha infância - e toda minha vida - foi a música. Meu pai sempre tocou violão, meu irmão tocava flauta, tínhamos um teclado e eu cantava em coral e no CTG. Os encontros de família sempre foram marcados por muita música. Bons tempos!

Agora que sou mãe - Helena tem 1 ano - fico pensando em como posso fazer para a que a infância dela seja a melhor possível. Quero que tenha boas recordações e veja em mim uma amiga para a vida toda. Se conseguir fazer isso, parte da minha missão nesta vida já vai estar cumprida.