Criatividade em alta: artesanato cresce como terapia e fonte de renda

A prática vem sendo usada como forma de ocupar o tempo livre, transformar ambientes e aproveitar peças e objetos e antigos

Foto: Divulgação


Desde que a pandemia do novo coronavírus alterou a rotina das pessoas mundo afora, muitas mudanças foram acontecendo. Maior cuidado com a higiene e as regras de distanciamento social deram novo significado ao cotidiano. Neste cenário de transformações e aprendizados, uma tendência mundial se consolidou.

O DIY, que nada mais é que o “faça você mesmo”, está em alta em todo o mundo. Os motivos são muitos: ocupação do tempo livre, desejo de transformar ambientes, aproveitamento de peças e objetos antigos. Além disso, tem ajudado o fato de que muitas pessoas não podem contar com a ajuda de um profissional neste momento e acabam desenvolvendo diferentes habilidades.

Dentre as técnicas que se popularizaram está o artesanato. Tricô, crochê, bordado e costura se tornaram presentes entre as famílias. “Aumentou muito a procura por materiais destinados ao artesanato e isso pegou as fábricas de surpresa. Até os estoques estão em falta porque a matéria-prima das fábricas acabou”, conta a empresária Marli Linden, da Stamping.

Ela, que já atua no ramo há 32 anos, diz que a demanda crescente alterou a rotina da loja e reforçou a tendência. “Não só para lazer, mas como fonte de renda para muitos que perderam o emprego. Às vezes até os maridos entram na produção”, salienta. Segundo Marli, alguns itens se destacam, como é o caso das máscaras para proteção contra o coronavírus, que passaram a ser uma alternativa de renda para as famílias.

A empresária, que aprendeu a trabalhar com artesanato aos oito anos e transformou a habilidade em negócio, conta que, além das técnicas mais conhecidas, a pandemia também está ajudando a resgatar algumas tradições. Dentre elas estão o tear, os bordados à mão ou máquina e também em telas. “As pessoas estavam ociosas em casa, sentiram a necessidade de fazer algo e acabaram optando pelo artesanato”, observa, lembrando que ainda os benefícios emocionais e ocupacionais que o artesanato proporciona. E a experiência vem de casa: depois de todo o dia na loja, Marli e as filhas Kátia e Carina ainda aproveitam as horas vagas à noite para realizar trabalhos manuais.

Tecido anti-Covid e muitas novidades

Se por um lado os estoques de algumas mercadorias acabaram desaparecendo, as novidades ajudaram a compensar a falta. Além de novas opções de linhas, tecidos e fios, Marli recebeu recentemente o tecido anti-Covid. Desenvolvido pela empresa Rhodia e testado em laboratórios como o da USP, ele é capaz de eliminar fungos e bactérias, bloquear e eliminar o vírus em até dois minutos. Oferecido em 22 cores, o produto ainda tem como vantagem o fato de não embaçar a lente dos óculos.

Segundo a empresária, embora tenha toda a tecnologia indispensável neste momento, o tecido está sendo comercializado a um valor acessível. Isso, segundo ela, costuma causar estranheza aos consumidores quando ficam sabendo do preço do material utilizado para a produção de máscaras e peças como toucas, jalecos e camisas. “Foi uma forma que encontramos de ajudar neste momento, possibilitando que as pessoas tenham acesso a essa proteção”, ressalta.

Foto: Divulgação