A faculdade de moda – parte 2

Hoje mostro um pouco sobre meu TCC e a coleção de moda que desenvolvi na faculdade

Foto: Divulgação


Continuando com o propósito de compartilhar com as (os) leitoras (os) um pouco do curso de moda, hoje contarei um pouquinho sobre o processo que envolve o desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Moda.

Durante o curso, aprendemos aos poucos os passos para a realização de uma coleção de moda e, em alguns momentos, desenvolvemos coleções para alguma disciplina. Aprendidos os processos, nos encaminhamos naturalmente para o final da faculdade, sendo colocados cara a cara com o temido TCC, exigido em todos os cursos. Para a Moda, assim como em outras áreas, é necessário que haja uma parte teórica, em que o aluno irá fazer uma pesquisa científica, com um tema de sua escolha que envolva a área de sua formação, e além dessa parte, temos o desafio de criar uma coleção, embasada na pesquisa realizada. 

Na minha instituição, o curso exige que façamos um artigo científico, e a partir dele, criemos uma coleção de cinco looks, sendo eles três comerciais (aqueles que a gente usaria) e dois conceituais (aqueles meio loucos que jamais compraríamos). Sendo assim, realizei nesse semestre que se encerrou este mês, o meu Trabalho de Conclusão, com o auxílio de um professor orientador. 

Como tema, trouxe para o mundo da moda, o balé. Na minha pesquisa, abordei a dança como ponto inicial, buscando sua origem, que se dá na pré-história, a partir dessa dança primitiva, surge no Século XIV o balé, considerada uma das primeiras modalidades de dança, sendo conhecida em todo o mundo. Dentro do balé, existem repertórios, e escolhi o Ballet Giselle, criado em 1841 para servir de inspiração à minha coleção, explicando como foram todos os passos para chegar ao resultado final. 

Durante o trabalho precisei também criar uma marca e seus conceitos, pensando no público alvo que vestiria as roupas que eu criei, e então, nasceu a Légèreté, palavra francesa que significa leveza, uma característica do balé, que foi marcada pelas minhas peças. 

A coleção, ganhou o nome de Amor Ilusório, já que traz uma história de uma jovem camponesa enganada pelo seu amado. Um pouco mais pode ser entendido a partir do release da coleção, que escrevi durante o trabalho.

Uma pesquisa histórica, em busca da origem da dança, que assim como a moda, está presente na vida da humanidade desde a pré-história. Duas descobertas, duas formas de expressão, que evoluíram e assumiram novos conceitos. 

A dança se subdivide em modalidades, e uma das mais antigas, o balé, é trazida para este momento. Por séculos, o balé encanta o mundo, tendo suas bases sólidas codificadas usadas por bailarinos e bailarinas nos países onde está presente. Suas técnicas são a base de muitas outras danças. Para exibição ao público, o balé torna-se instrumento contador de histórias, trazendo para o palco situações comuns dos tempos de sua criação, e que às vezes remetem à sociedade atual. 

A coleção Amor Ilusório parte do enredo de um repertório criado no Período Romântico, o Ballet Giselle. Baseado na história de amor e decepção de uma jovem camponesa, que não se casa com seu amado, Giselle sucumbe e morre de amor, mas mesmo no outro plano, essa paixão se perpetua.

Moda e balé tem mais semelhanças do que se pode imaginar: são dois meios de contar histórias, duas verdade mascaradas, dois mundos que se complementam. Duas artes que movem corações por toda parte.

Cada look que foi inspirado em uma personagem da trama, sendo o primeiro remetendo à Giselle, personagem principal, o segundo look, lembra as camponesas que trabalhavam na aldeia onde acontece a história, o terceiro é uma alusão à alma da personagem principal. O quarto look, primeiro conceitual, traz uma metade em que Giselle está viva, e na outra, ela morta, já o quinto look, segundo conceitual, é inspirado na rainha, que também aparece na história. Cada verso do poema explica um look. 

Modelo: Martina Stapenhorst 
Fotos: Giuliane Giovanaz
Produção de Moda, Styling e Beauty: Mirella Barboza da Rosa  


MIRELLA DA ROSA

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