Meia-estação: a vilã das doenças respiratórias

Situação piora para quem rinite, afirma professor do curso de Medicina da Univates

Pessoas que apresentam os sintomas de forma frequente podem estar com rinite
Foto: Elise Bozzetto/Univates


Às 7 horas da manhã desta terça-feira, 18, os termômetros marcavam 16 graus. Seis horas depois, às 13 horas, a temperatura já chegava na casa dos 24 graus. Como são características do outono e da primavera - as chamadas meias-estações -, as oscilações térmicas ocorrem quase que diariamente. Com isso, o corpo não aguenta e percebe-se um aumento de manifestações respiratórias, os tais resfriados.

Segundo o professor de Alergia e Imunologia Clínica do curso de Medicina da Univates, médico Luiz Bernd, os resfriados e gripes são provocados por infecção de vírus, que têm manifestações de intensidade variável e evoluem por tempo limitado. “É comum que o quadro afete também colegas de trabalho e familiares”, explica.

No entanto, Bernd chama a atenção para as pessoas que “vivem resfriadas”. Segundo ele, apresentar espirros, secreção nasal, congestão e obstrução nasal, coceira no nariz e também nos olhos de forma frequente podem ser sintomas de rinite. “Existem numerosas causas de rinite, mas a mais comum é a rinite alérgica. Nessa condição, a pessoa se tornou alérgica a componentes do ambiente, como ácaros da poeira, fungos, pólen e alérgenos de animais domésticos, e, se não tratar, apresentará manifestações nasais diariamente, com variações de intensidade”, lembra o professor.

Além disso, Bernd explica que esse grupo de pessoas também é mais suscetível às mudanças bruscas de temperatura, características do clima da nossa região. “A primeira atitude para se proteger é buscar tratamento. Hoje existem medicamentos seguros e eficazes que podem proporcionar o controle dos sintomas e uma vida com qualidade”, diz.

Medidas de fiscalização do ambiente também são algumas das dicas consideradas fundamentais pelo médico para a evolução do quadro. Segundo ele, o ideal é retirar do ambiente do alérgico objetos que acumulam poeira, como estofados, carpetes etc., assim como controlar a umidade do ar e tratar a presença de mofo nas paredes. Nesse caso, puxar não deixar o casaco no armário também é importante. “Não se deve relaxar no vestir: é importante não sentir frio. Portanto, proteger o corpo, mãos e pés com tecido que impeça a diminuição da temperatura corporal e proteja dos ventos é fundamental”, garante Bernd.

Em determinadas situações, pode ser indicada ainda a imunoterapia específica com alérgenos. O procedimento visa a diminuir o grau de sensibilização alérgica e pode ser feito com segurança se for bem orientado, afirma o professor da Univates.