Fazer atividade física diminui o risco de desenvolver depressão

Estudo realizado por universidade gaúcha em parceria com instituições estrangeiras analisou dados que incluíam mais de 200 mil pessoas

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“Me sinto bem, menos estressada, eu durmo melhor, me alimento melhor, me sinto feliz”. A frase é da advogada Raquel Recktenvald, que pratica exercícios físicos seis dias por semana. Ela conta que durante dez anos ficou sem fazer atividade física e isso piorou muito sua qualidade de vida: “Foi minha ruína, eu estava sempre de mau humor e não tinha paciência. Em 2013 decidi investir na minha saúde, voltei a correr e tudo melhorou”, relembra. O que a Raquel sente é explicado pela ciência. A prática de exercícios físicos, entre outros benefícios, produz a liberação de serotonina, um dos chamados hormônios da felicidade.

No entanto, os efeitos da prática de exercícios podem ser ainda mais benéficos a longo prazo. Um estudo coordenado pela Universidade La Salle, em Canoas, em parceria com o King’s College London, do Reino Unido, do Black Dog Institute e da Western Sydney University, da Austrália, e outros pesquisadores da Bélgica e Suécia, demonstrou que a prática de atividades físicas diminui as chances de incidência de depressão, ou seja, de pessoas desenvolverem depressão ao longo da vida. O estudo, chamado de meta-análise, reúne estudos semelhantes ao redor do mundo para comprovar o resultado. Foram reunidos dados de 49 estudos que avaliaram mais de 200 mil pessoas livres de doenças mentais. A descoberta foi que, em comparação com pessoas com baixos níveis de atividade física, aqueles com altos níveis tinham menores chances de desenvolver depressão no futuro. Os dados analisados são de indivíduos acompanhados, em média, por 7,4 anos.

"Este é o primeiro estudo global a estabelecer que o envolvimento na atividade física é benéfico para proteger a população em geral do desenvolvimento da depressão. A evidência é clara e bastante consistente de que as pessoas mais ativas têm menor risco de desenvolver depressão", explicou professor Dr. Felipe Barreto Schuch, da Universidade La Salle. A análise foi feita em diferentes faixas etárias e continentes.

“Descobrimos que níveis mais altos de atividade física eram protetores de futuras depressões em crianças, adultos e idosos, em todos os continentes e depois de levar em conta outros fatores importantes, como índice de massa corporal, tabagismo e condições de saúde física. Dada a multiplicidade de outros benefícios de saúde da atividade física, nossos dados se somam às chamadas urgentes para priorizar a atividade física ao longo da vida”, alerta o Dr. Brendon Stubbs, pós-doutorando em fisioterapia, no Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College London.

O estudo foi publicado no American Journal of Psychiatry, considerada uma das revistas mais importantes e de maior prestígio da área de psiquiatria clínica. “Poucos brasileiros têm artigos publicados nessa revista e esses achados tem grande impacto na área acadêmica e de saúde pública”, celebra Schuch.