Outubro Rosa: prevenção começa pela mudança de hábitos

A prevenção começa pela conscientização e por entender de fato a gravidade da doença

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O Outubro Rosa tornou-se uma das campanhas mais aceitas e disseminadas pela sociedade. A ação tem como símbolo o famoso laço rosa, e o mês é dedicado à conscientização sobre o câncer de mama. A patologia é a mais incidente entre as mulheres. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a previsão é cerca de 66.280 novos casos de câncer de mama no Brasil neste ano. A neoplasia maligna também acomete homens, porém é rara, representando apenas 1% do total de casos.

Não se trata apenas de números, mas de vidas. A prevenção começa pela conscientização. Ao entender de fato a gravidade da doença, é possível mudar hábitos e investir em alternativas para preservar a saúde. Quando são divulgados os principais fatores de risco do câncer de mama, isso não exclui de forma alguma os cuidados que toda mulher deve ter, como adotar uma vida saudável e manter em dia seus exames médicos.

Os fatores mais conhecidos são: idade, história reprodutiva, riscos ambientais, genéticos e hereditários. Justamente por não ter uma única causa, é fundamental ficar atento. Importante diferenciar prevenção de diagnóstico precoce. A detecção na etapa inicial aumenta muito as chances de cura.

A mamografia de rastreamento – exame de rotina em mulheres sem sinais e sintomas de câncer de mama – é recomendada na faixa etária de 50 a 69 anos, ou mais precocemente em situações individualizadas. É importante destacar que a mamografia, apesar de permanecer como o melhor método, não representa um veredicto. Nem sempre um exame positivo significará um diagnóstico de câncer, assim como um resultado negativo não o excluí. É fundamental analisar a mamografia em um contexto clínico.

Ao mesmo tempo em que há avanços na medicina e pesquisas cada vez mais profundas, existem medidas simples que podem ajudar a prevenir a doença: praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, adotar uma alimentação mais saudável e evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Amamentar é também um fator protetor. “No entanto, o Outubro Rosa deve deixar de ser apenas um instrumento de conscientização e se transformar em ações efetivas na comunidade, como angariamento de recursos para pesquisa e aquisição de novos equipamentos; acesso a avaliações genéticas e quimioprevenção, um importante método disponível e pouco conhecido”, afirma Marcelo Dotto, médico oncologista.

Oncogenética
A medicina oncológica vem se modernizando. Com os estudos de oncogénetica, há exames capazes de rastrear e detectar a predisposição genética de uma pessoa ter câncer. A atriz americana Angelina Jolie realizou um teste genético e, ao descobrir que tinha chances de desenvolver câncer de mama, buscou os tratamentos necessários para evitar a doença. Trata-se de uma avaliação não invasiva, feita a partir da análise de uma pequena amostra de sangue ou saliva, para fins de diagnóstico da predisposição hereditária, explica a médica oncologista Alexandra Petri Loureiro. Ela é a responsável técnica da Avantte Oncologia Personalizada e especialista em aconselhamento genético em predisposição hereditária ao câncer.

Quanto antes melhor

O Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, criado no início da década de 1990. No Brasil, a lei 13.733/2018 oficializou a celebração. A data é promovida anualmente com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.

Neste ano, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) lança o movimento de conscientização Quanto antes melhor. A ideia é chamar a atenção das mulheres para a adoção de um estilo de vida saudável no dia a dia, com a prática de atividades físicas e boa alimentação para evitar doenças, entre elas, o câncer de mama. A SBM quer reforçar que há vida após o câncer de mama e que o cuidado com a saúde feminina deve ser olhado com atenção, principalmente neste momento em que o rastreamento e o tratamento foram prejudicados e ainda estão sendo retomados por conta da pandemia de Covid-19. O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, no Brasil e no mundo, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos de câncer a cada ano. Esse percentual é de 29% entre as brasileiras.

Na caminhada contra a doença, conscientização e prevenção são os principais aliados. É o que observa a enfermeira e empresária Fernanda Bastos, da Clínica Imuniza. “No mês de outubro, não conscientizamos as mulheres só quanto à prevenção do câncer de mama, mas também do câncer de útero. Este é o segundo tipo de câncer que mais acomete as mulheres, atrás apenas do câncer mamário”, ressalta.

Entre as recomendações da enfermeira estão cuidados do dia a dia, como alimentação, atividade física, horas de descanso, exames médicos. “Se tocar, se conhecer, trabalhar a mente são cuidados. Enfim, de acordo com o Inca o que mais causa câncer é o descuido com nosso corpo e mente, muito além da genética, que é caracterizada em apenas 20%, enquanto que o restante é 80%”, acrescenta.

Segundo a enfermeira, os cuidados devem iniciar desde a infância, com hábitos saudáveis. “Porém a palpação da mama, após a menstruação uma vez ao mês é o que recomendamos. Uma dica é sempre colocar no seu calendário, post-it. O importante é não esquecer. Retire um momento a cada mês para cuidar de você. Se você notar algo estranho na sua mama, um nódulo nos seios ou alterações no formato, tamanho ou na pele é importante procurar um médico imediatamente”, avisa.

Conforme a enfermeira, o autoexame só detecta nódulos palpáveis e não substitui a mamografia, nem o ultrassom ou o exame médico. Mas lembrese de que você vai apenas uma vez ao ano no médico. Então a palpação mensal é importante e nada melhor do que você para fazer seu autoexame, pois já conhece seu corpo e consegue identificar qualquer alteração mais facilmente”, reforça.

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Importância da vacina

O Ministério da Saúde reforçou no ano passado a importância da vacina para mulheres. Embora não exista um calendário específico, ele é dividido em fases da vida. Conforme a enfermeira Fernanda Bastos, a partir dos 9 anos é recomendada a vacina contra o HPV. Mas ela alerta que pessoas contaminadas e adultos também podem fazer para reduzir as chances de desenvolver câncer. Para se ter ideia do risco causado pelo HPV, ele é responsável por 99% dos cânceres de colo do útero, 63% dos casos de câncer de pênis e 75% dos registros de câncer de vagina.

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As vacinas

Esquema vacinal

  • HPV
  • HPV bivalente (mulheres): a partir dos 9 anos com três doses
  • HPV quadrivalente (mulheres e homens): dos 9 aos 15 anos com duas. Após os 15 anos são três doses.

Hepatite A e B

  • Tetraviral (sarampo, caxumba e rubéola, varicela)
  • Influenza
  • Meningite meningocócica ACWY
  • Meningite meningocócica B